4.4.12

Se mantendo longe das redes sociais!

Postado por Marcus Vinicius Alves |




Esse post serve mais como utilidade pública do que qualquer outra coisa. Hoje comecei a utilizar um serviço disponibilizado pelo site http://keepmeout.com/en/ que visa fortalecer o "auto-controle" em relação a todas as mil possibilidades distrativas da net. Comigo funcionou! E se você estiver perdendo muito tempo nas redes sociais da vida ou em sites de humor talvez essa seja uma solução. O site é simples e você aprende a usá-lo com muita facilidade, é só tentar.

A ideia deste programa é trazer à consciência o quanto automaticamente clicamos clicamos nos sites que estão à nossa disposição nas nossas barras de favoritos. 




Apresento-lhes a minha Barra de Favoritos e a culpada por todos os meus textos atrasados (Facebook, 9GAG e Twitter = procrastinação)... Creio.








Eu mesmo já me peguei clicando do nada no botãozinho do Facebook para tomar um susto com o "aviso" de que já estive ali há 20 minutos e poderia esperar mais alguns outros. Conforme o aviso ocorre, passamos a automatizar o controle e a reduzir a quantidade de visitas (isso é o que espero, pelo menos, veremos). Outro fator que permite essa ideia é que não há de fato a proibição de entrar na página "marcada", pois é só escrever o endereço dela na URL que você a acessa normalmente. O importante é reduzir esse comportamento de clicar sem prestar atenção nos ícones da barra de favoritos, começando a percebê-los e controlá-los... E, acredito, possibilitando que seu trabalho seja feito.

* André Rabelo



Quem nunca brincou de tentar adivinhar o que outra pessoa estava pensando? Será que conseguiremos algum dia pedir para alguém pensar em alguma coisa e então adivinhar, sem que a pessoa fale absolutamente nada? Ao que parece, os primeiros passos para isso acontecer estão sendo dados pelo pessoal do Gallant Lab, na Universidade da Califórnia, Berkeley.
Eu já havia traduzido um texto no blog SocialMente comentando sobre o artigo publicado na revista Current Biology, onde o pessoal deste laboratório conseguiu, a partir de registros da atividade neural dos participantes, reconstituir de maneira aproximada as imagens que os participantes observavam. Neste link, tem o vídeo comparando as reconstituições obtidas com as imagens que de fato os participantes olharam.
ResearchBlogging.orgDesta vez, os destemidos membros deste laboratório publicaram um estudo na revista PLoS Biology onde eles conseguiram, novamente a partir da atividade neural, reconstruir palavras nas quais os participantes estavam pensando. Em outras palavras, eles conseguiram adivinhar a palavra que a pessoa estava pensando só a partir da atividade elétrica do cérebro dos participantes! Sim, é isto mesmo, você não está lendo nada errado!
Para alcançar este feito, os pesquisadores utilizaram um técnica invasiva de registro neural. Os registros  eletrocorticográficos (ECoG) são obtidos através de eletrodos colocados na superfície do cérebro, após uma incisão no crânio. Eu até pensei em trazer uma imagem para deixar mais claro como isso funciona, mas as imagens eram meio desagradáveis…
Após colocar estes fiozinhos na cabeça de 15 voluntários, os cientistas mediram a atividade elétrica de populações de neurônios em resposta a diversas palavras e frases emitidas por uma voz feminina gravada. A partir destes dados, os pesquisadores desenvolveram  um algoritmo (programa de computador) capaz de relacionar padrões de atividade neural com as estimulações auditivas. Com este algoritmo em mãos, eles mostraram então listas de palavras aos voluntários e pediram que eles escolhessem uma palavra  e pensassem nela. A partir da atividade neural dos voluntários enquanto pensavam na palavra e do algoritmo desenvolvido, os cientistas foram capazes de descobrir com uma grande acurácia as palavras nas quais os voluntários estavam pensando.
Apesar de ser um resultado assustador para alguns que querem proteger seus pensamentos, esta pesquisa pode beneficiar muitas pessoas que, por algum motivo, não conseguem controlar os músculos envolvidas na fala, apesar de não ter os mesmos prejuízos em sua capacidade cognitiva. Pessoas com paralisias graves como as que ocorrem em casos de tetraplegia, por exemplo, poderiam se comunicar utilizando um aparelho capaz de reconstruir as suas falas. Esta pesquisa, além de estimular nossas imaginações futuristas e contribuir para a melhor compreensão de como alguns processos cognitivos ocorrem no cérebro, pode ajudar algumas pessoas a voltar a falar com o simples pensamento!

Referências

Pasley, B., David, S., Mesgarani, N., Flinker, A., Shamma, S., Crone, N., Knight, R., & Chang, E. (2012). Reconstructing Speech from Human Auditory Cortex PLoS Biology, 10 (1) DOI: 10.1371/journal.pbio.1001251

* André Rabelo é estudante de graduação do curso de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB). Além de ser editor dos blogs Ciência - Uma Velha no Escuro e SocialMente, é colaborador do Blog de Astronomia do astroPT e do Bule Voador.

16.2.12

Podcasts de Psicologia

Postado por Marcus Vinicius Alves |


Podcast é o nome dado a arquivos de áudio publicados na internet onde, basicamente, você poderá sempre ouvir discussões, mesas-redondas, entrevistas e afins sobre o tema que desejar.


Como não poderia deixar de ser, há também os podcasts relacionados com a psicologia e apresentados por grandes professores. Alguns que encontrei recentemente são bons podcasts de psicologia, todavia, esses podcasts são todos em inglês, mas em breve, quem sabe, surjam os Podcasts de psicologia em português, apresentados por professores da área e abordando a realidade das pesquisas nacionais.


Confira uma lista:

60-Second Mind: Um podcast de um minuto sobre as últimas novidades em pesquisas sobre cérebro e comportamento, atualizado aos Sábados.

All in the Mind from ABC Radio Australia: Podcast semanal apresentado por uma jornalista da ciência chamada Natasha Mitchell sobre cérebro e comportamento que aborda temas como sonhos, depressão, vício, inteligência artificial etc.

All in the Mind BBC: Outro podcast semanal. Neste o foco são os limites da mente humana, tratando de distúrbios do sono ou de programas de saúde mental. Em um episódio recente o prêmio Nobel Daniel Kahneman foi entrevistado.

Cognitive Daily Podcast: Podcast gerido por Greta e David Munger, que debate os tópicos recentes em ciência cognitiva.

Psychology 164: Social Cognition: Podcast do professor John Kihlstrom da Universidade da Califórnia. Exclusivo sobre tópicos da Cognição Social, como percepção social, categorização social e julgamento social.

The Brain Science Podcast: O médico Ginger Campbell discute as novidades das neurociências. Um post recente abordou o livro “Muito Além do Nosso Eu” do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.

The Psychology of Attractiviness: Podcast publicado mensalmente onde são abordados temas como traição, ciúme e relacionamentos em geral.

This Is Psychology Podcast: Norman Anderson, chefe executivo da APA, traz discussões acerca de trabalhos que estão sendo publicados atualmente com temas variados como saúde mental e bullying.

The Wise Council Podcast: Podcast para terapeutas. Aqui o psicólogo David Nuys apresenta discussões sobre tratamentos psicoterápicos e entrevistas com outros psicoterapeutas.

O avanço tecnológico já se mostrou útil em diversas áreas das ciências, com os aparelhos cada vez mais delicados e potentes é possível ver o detalhe de estrelas, sejam elas as gigantes de gás incandescente no espaço ou as pequenas partículas que dançam a todo o momento no universo do nosso corpo. Assim como as outras ciências, a Psicologia tem aproveitado desse avanço tecnológico para aperfeiçoar suas técnicas de investigação e com isso as práticas que guiam seus profissionais.

O lado experimental de uma disciplina costuma aproveitar mais das possibilidades de novas tecnologias do que o lado aplicado e com a psicologia não foi diferente, como exemplo é possível lembrar que foi só a partir do advento das técnicas de imagem que se tornou possível observar o cérebro em ação, e assim, chamar os anos 90 de “Década do Cérebro”, com as pesquisas em neurociências tendo um caráter de vanguarda na revolução científica (sendo muito influentes até hoje). As pesquisas sobre cognição e comportamento terminaram por se tornar ainda mais elegantes e explicativas e trouxeram evidências difíceis de refutar. Mas a prática psicológica nesses anos todos de avanço tecnológico aparentemente não havia sentido tanta mudança, nas clínicas, organizações e escolas, o psicólogo não costumava utilizar muitos instrumentos ou aparelhos avançados para a sua intervenção, no máximo alguns testes psicológicos e neuropsicológicos. A tendência, entretanto, é que esse quadro mude.


Tecnologia para psicólogos

Psicólogos têm buscado diferentes formas de interagir com seus clientes, seja pelo twitter e blogs de divulgação ou de opinião, ou buscando validar atendimentos por softwares de bate-papo como o MSN, a tecnologia vem ganhando espaço nas discussões das práticas psicológicas. Indo além, uma tecnologia já conhecida por muitos, vista em muitos filmes e videogames, a Realidade Virtual, está sendo utilizada para auxiliar terapeutas em diversos casos, como treinamento, reabilitação cognitiva e motivação para crianças que estão passando por fisioterapia (a fisioterapia se transforma em um jogo de corrida ou futebol, muito mais divertido que a esteira comum). Isso faz com que, aparentemente, seja da Realidade Virtual que se espere as maiores transformações para a prática psicológica.

Em um estudo realizado na Universidade de Pádua, na Itália, uma técnica de reabilitação para o déficit de memória em idosos com Alzheimer utilizando a realidade virtual foi testada, os resultados apresentados revelaram que, apesar do declínio cognitivo ainda existir nestes idosos, a atenção deles melhorou consideravelmente, permitindo também uma melhora na recordação de informações a longo prazo. Com esses resultados, outras investigações começam a ser feitas, inclusive tentando adaptar testes neuropsicológicos para uma plataforma comum, o Nintendo Wii, tornando-os mais ecológicos e – vamos admitir – divertidos.

Na Alemanha um grupo de pesquisadores avaliou outro uso para a Realidade Virtual – e este aparentemente se tornará ainda mais útil com o tempo – a terapia para fobias. O uso de programas de Realidade Virtual para trabalhar fobias de avião, altura e aranhas já tem se mostrado eficaz em alguns estudos, mas no caso específico da investigação realizada pelos pesquisadores alemães, questionava-se até que ponto uma aranha virtualmente desenhada obteria o mesmo efeito aversivo que uma aranha real para os indivíduos com fobia. Após uma seleção onde os participantes “provavam” o seu medo de aranhas a partir de questionários e alguns testes, reduzindo a amostra apenas para participantes diagnosticados com a fobia, os testes começaram a ser feitos. Em um quarto fechado, o participante se deparava com uma aranha na parede oposta a que estava e era indicado a se aproximar dela apertando um botão, enquanto isso, suas respostas verbais e fisiológicas eram mensuradas para observar nos participantes os efeitos que as aranhas virtuais causavam. 


O resultado foi que os indivíduos acabavam por generalizar o seu medo de aranhas reais de forma intensa, fazendo que as aranhas virtuais fossem extremamente temidas. A partir destes resultados, é possível inferir que técnicas apropriadas para o tratamento também poderiam ser generalizadas, sendo assim, o estudo concluiu que o cenário virtual ao causar as mesmas respostas que os estímulos reais, com a vantagem de ser em um ambiente controlado pelos profissionais, será extremamente útil não só para realizar terapias para indivíduos com fobias, como também para pesquisas futuras sobre aspectos do medo e o desenvolvimento de novas técnicas a partir de um controle muito maior, resultando em práticas mais eficazes.


ResearchBlogging.org Mühlberger, A., Sperber, M., Wieser, M. J., & Pauli, P. (2008). A VIRTUAL REALITY BEHAVIOR AVOIDANCE TEST (VR-BAT) FOR THE ASSESSMENT OF SPIDER PHOBIA. Journal of CyberTherapy and Rehabilitation., 1 (2), 147-158  

Optale, G., Urgesi, C., Busato, V., Marin, S., Piron, L., Priftis, K., Gamberini, L., Capodieci, S., & Bordin, A. (2009). Controlling Memory Impairment in Elderly Adults Using Virtual Reality Memory Training: A Randomized Controlled Pilot Study Neurorehabilitation and Neural Repair, 24 (4), 348-357 DOI: 10.1177/1545968309353328


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